Reeleito em SP, Nunes fala em vitória da gestão e enaltece Tarcísio

O prefeito reeleito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), no discurso de vitória nesse domingo (27), falou em vitória da gestão, enalteceu o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como “líder maior” e disse que governará para todos. O emedebista afirmou que São Paulo deu uma lição de democracia para o Brasil e que o equilíbrio venceu o extremismo. O resultado ficou em 59,35% dos votos para Nunes e 40,65% para Guilherme Boulos (Psol).

“Quem não tiver acervo de realizações, algo para mostrar de concreto, terá cada vez mais dificuldade de ter como único argumento político a rejeição do adversário”, disse. O prefeito abriu o discurso agradecendo ao povo e à família. Em seguida, referiu-se a Tarcísio. “Agradeço ao líder maior, sem o qual essa vitória não seria possível. Meu amigo que me deu a mão na hora mais difícil, o governador Tarcísio de Freitas.”

Nunes repetiu quase exatamente o feito de Bruno Covas (PSDB) ao se reeleger prefeito da Capital contra Guilherme Boulos (Psol), tendo ao lado um vice à direita, desconhecido e improvável. Há quatro anos, o vice era ele. Ao lado do prefeito, no Clube Banespa, estavam a mulher, Regina Carnovale, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o vice-prefeito eleito, o policial militar aposentado Ricardo Mello Araújo (PL), marca do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na chapa e agora no futuro governo.
A festa da vitória teve ainda a presença de uma série de secretários, deputados e vereadores, incluindo o presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União). No palco, estavam presentes ainda o ex-governador Rodrigo Garcia, o presidente do MDB, Baleia Rossi, e o presidente do PSD, Gilberto Kassab.

Mas é sobre Tarcísio que recaem os créditos da vitória de Nunes. Atuando pela primeira vez como articulador, padrinho e cabo eleitoral, o governador chegou a bloquear a agenda para estar à disposição da campanha. Ontem, uma declaração do governador fomentou o embate entre as campanhas. Tarcísio afirmou, sem apresentação de provas, que o PCC orientou voto no candidato do Psol.

Boulos chamou a declaração de “uma vergonha”. O deputado ajuizou ação na Justiça Eleitoral pedindo a inelegibilidade de Nunes e a cassação de Tarcísio. Apontado como o principal nome da direita para a disputa presidencial de 2026, dada a inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio sai da eleição municipal não apenas com maior projeção, mas com coligação embrionária e palanque garantido na cidade mais importante do país. Já Nunes declarou que essa pode ser a última eleição que disputou.
O agora vice-prefeito eleito, Mello Araújo, nunca havia disputado nas urnas. Ex-comandante da Rota e ex-presidente da Ceagesp, foi indicado por Bolsonaro e aceito por Nunes e Tarcísio no momento em que a campanha precisava conquistar bolsonaristas que viam em Pablo Marçal (PRTB) o verdadeiro nome da direita.

Mas o crescimento de Marçal balançou Bolsonaro, e o apoio hesitante e envergonhado do ex-presidente a Nunes ficou evidente, principalmente em comparação ao empenho de Tarcísio. A vantagem do prefeito sobre Boulos no segundo turno contrasta com o sufoco do empate triplo no primeiro, o resultado mais apertado da Capital desde a redemocratização.

Boulos
O presidente Lula (PT) é sócio da derrota de Boulos, mais um revés para a esquerda nestas eleições e entrave para a reeleição do petista. Após a confirmação da derrota, o candidato do Psol afirmou que perdeu a eleição, mas a campanha recuperou a “dignidade da esquerda brasileira”.
No discurso, que fez no meio da militância, disse que nada na vida se conquista sozinho. Por isso, decidiu fazer o discurso ao lado daqueles que apoiaram a campanha. “Uma eleição se ganha ou se perde, uma dignidade não se perde, um compromisso de vida não se pode perder”, declarou.

Fonte: O Esatdo CE

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