Mês de conscientização e combate à leucemia

Fevereiro Laranja é o mês para conscientizar a população sobre a prevenção, diagnóstico e combate à leucemia, um dos tipos de câncer do sangue. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), até 2025 devem ser registrados mais de 11 mil novos casos de leucemia no Brasil.

Segundo a hematologista do Hospital São Carlos/Rede D’Or, Andréa Alcântara, a leucemia é um câncer que inicia nas células-tronco da medula óssea, local onde são produzidas as células do sangue, e pode ser classificada de duas formas, “aguda” ou “crônica”, conforme a velocidade de crescimento das células doentes e pelo tipo de célula acometida pela doença “linfoide” ou “mieloide”. “As leucemias podem ser agudas ou crônicas e dentro destes 2 grupos, existem subtipos específicos. De uma maneira geral as leucemias crônicas se manifestam mais lentamente, causando sintomas ao longo de meses ou anos. Algumas nem precisam de tratamento específico. Já as leucemias agudas se manifestam rapidamente, e em poucos dias ou semanas o paciente apresenta sintomas que em geral pioram rapidamente. Todas as leucemias agudas precisam de tratamento”, afirma a médica.

Igual aos outros cânceres, a leucemia acontece por meio de uma mutação genética. Geralmente, essas mutações são somáticas, o que significa que ocorrem nas células do corpo e não passam para os filhos. Porém, em casos raros, algumas formas de leucemia podem ser herdadas.
Uma das cearenses vítimas da doença foi a pedagoga Benedita Inácio, de 51 anos. Há seis anos, ela foi diagnosticada com Leucemia Mieloide Crônica (LMC), um tipo de câncer considerado raro que afeta a produção do sangue e medula óssea e é mais comum em pessoas após os 50 anos e geralmente não apresenta sintomas. “Quando recebi o diagnóstico, tomei um susto, ainda perguntei três vezes para a médica se era real, mas ela disse: você está com leucemia, mas não sabemos ainda qual é. Perguntei se ela tinha certeza, mas a resposta foi afirmativa, mas minha maior aflição era saber se havia chance de ficar curada, e a resposta dela também foi afirmativa, muito embora naquele momento meus leucócitos estivessem muito altos”, conta.

Sintomas
Os sintomas causados pelas leucemias ocorrem devido às alterações que a doença causa no sangue. “As células cancerosas prejudicam o funcionamento normal da medula óssea, ocorrendo a redução das células sanguíneas normais, causando anemia severa, sangramentos e infecções”, completa a hematologista Andréa Alcântara. As leucemias crônicas podem não ter sintomas ou apresentar algumas manifestações gerais, como fadiga, febre no final da tarde e suor noturno. Já as leucemias agudas apresentam manifestações mais marcantes. A pedagoga relata que antes de receber o diagnóstico, sentia muita dor nas pernas, cansaço e já não conseguia mais realizar atividades do dia a dia, como andar e trabalhar.
Outra questão afetada pela leucemia é a produção de plaquetas, pois essas células estão ligadas ao processo de coagulação do sangue, e quando estão muito baixas é possível notar hematomas recorrentes, aparecimento de pontos roxos na pele e sangramentos na gengiva. Por fim, quando esses sintomas se tornarem frequentes e não possuem uma causa específica, é necessário buscar imediatamente ajuda médica.
“Dois meses antes de receber o diagnostico eu sentia muito cansaço nas pernas, eu trabalhava, mas chegava ao fim do dia eu não aguentava, de tanto cansaço nas pernas. No decorrer disso, andava dois quarteirões e tinha que parar porque as pernas começavam a doer, além do cansaço. Depois, faltando 15 dias para o diagnostico comecei a sentir mal estar, muita sede, muito calor, era um calor absurdo, suava muito, também comecei a sentir muita dor na costela, justamente do lado que fica o baço, pois ele estava inchando”, relembra Benedita.

Tratamento
A respeito do tratamento, a hematologista Andréa Alcântara explica que o ciclo vai depender do tipo de câncer, podendo ser realizado com radioterapia, quimioterapia, imunoterapia, terapia direcionada, transplante de medula óssea, e a terapia com células geneticamente modificadas (CAR-T Cells) que recentemente tem ganhado bastante destaque. “Além da quimioterapia convencional, a imunoterapia e as drogas-alvo ganharam destaque nos últimos anos, e juntamente com os avanços no transplante de medula óssea têm sido responsáveis pela melhora dos resultados do tratamento. Mais recentemente, a terapia com CAR-T Cells tem sido utilizada com sucesso em alguns tipos de leucemia que não respondem aos tratamentos habituais”, finaliza ela.
No caso de Benedita, o tratamento está sendo feito com um medicamento oral, que inibe especificamente a proteína anormal que causa a doença. A mulher vem respondendo bem à medicação e segue na luta para vencer a doença. A doença vem em remissão. Tudo depende do organismo. Hoje estou bem, o tratamento vem dando certo, a remissão vem acontecendo, pois faço exames a cada três meses”, disse.

Doação de medula
O transplante de medula óssea é o principal tratamento para a doença e é possível por meio de doação voluntária. Para realizar o cadastro no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), o doador deve se dirigir a um hemocentro da sua cidade. No local é coletada uma amostra de sangue para exame de tipagem e colocada no banco de medula.
Atualmente, o Redome é o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo, com mais de 5.721.892 milhões de cadastros. O primeiro e segundo são localizados nos Estados Unidos e na Alemanha. Em média, no Brasil, são incluídos anualmente mais de 125 mil novos cadastros. Segundo o Redome, em 2023 foram viabilizadas 398 unidades de células, de doadores nacionais e internacionais, para pacientes brasileiros.
Uma das pessoas que fazem parte do banco de dados é a pedagoga Micaely Ferreira, de 27 anos. Ela realizou o cadastro em 2016 com a esperança de ser compatível com seu primo, que, na época, foi diagnosticado com a doença. “Meu primo, na época com 7 anos, foi diagnosticado com Leucemia. Ao logo do tratamento, necessitando de um transplante de medula óssea, realizamos uma campanha, onde vários familiares e amigos realizaram seus cadastros junto aos bancos de sangue e o Redome. Na época, não fui compatível com meu primo, mas desde então, busco sempre atualizar meus dados no site do Redome, para caso algum dia, ser compatível com alguém que esteja precisando”, conta Micaely.
Segundo a pedagoga, o ato de solidariedade é a única esperança para muitos pacientes encontrarem a cura. “É importante, pois através dessa ação podemos salvar a vida de alguém e renovar as esperanças de uma família. Muitos pacientes não conseguem um doador compatível em suas famílias, sendo necessário recorrer aos bancos de dados de registros de doadores voluntários; por isso, é necessário sempre manter atualizado o cadastro com as informações pessoais”, finaliza.

Por Dalila Lima/OE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *