MP do tarifaço vai prever reforma em fundo de exportações
Para tentar amenizar os impactos do tarifaço sobre as empresas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um pacote de medidas, que deve incluir linhas de crédito e o diferimento de tributos (um prazo adicional para que as companhias efetuem o pagamento dos impostos).
Haddad disse ainda que a MP (medida provisória) vai incluir uma reformulação no FGE (Fundo de Garantia à Exportação), criado para cobrir riscos em operações de crédito a vendas ao exterior.
“Além de medidas conjunturais de apoio aos exportadores que vão estar em situação de dificuldade, vamos fazer uma coisa mais estrutural”, afirmou o ministro. “Nós estamos fazendo uma reforma estrutural no FGE, com o suporte dos demais fundos, para garantir que não só os grandes, mas toda empresa brasileira que tiver vocação de exportação vai ter instrumentos modernos para fomentar a exportação para o mundo inteiro. Porque muitas das exportações brasileiras vão ter que mudar de destino.”
Segundo ele, a estratégia brasileira é buscar novos mercados para as empresas que hoje dependem das exportações aos Estados Unidos e ficarão prejudicadas pela sobretaxa.
O ministro disse também que a MP vai prever, em alguma medida, uma cobrança por manutenção de empregos para empresas que acessarem o socorro. A exigência, porém, terá previsões de flexibilização.
“Isso está previsto na MP, mas obviamente há empresas que não vão poder garantir isso, porque o impacto é muito grande na sua produção. E a MP flexibiliza para alguns casos, [permitindo] outros tipos de contrapartida”, disse.
“A MP, é importante dizer, tem que ter uma certa flexibilidade. Porque nós estamos falando de mais de 10 mil empresas. Nós não vamos conseguir colocar na mesma moldura todo mundo, desde o pescado do Ceará até a Embraer, o pessoal de máquinas e equipamentos e o pessoal da manga do Vale do São Francisco. A MP oferece os instrumentos e abre as diretrizes de como cada empresa vai ser atendida”, acrescentou.
Reunião cancelada
O ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse que a reunião que ele teria na próxima quarta (13) com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para discutir a sobretaxa de 50% imposta ao Brasil foi cancelada.
O ministro atribuiu o cancelamento à atuação de forças de extrema direita que mantêm interlocução com a Casa Branca e citou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA.
“De novo, a militância antidiplomática dessas forças de extrema direita que atuam junto à Casa Branca, tomaram conhecimento da minha fala, porque eu dei a público que eu ia me reunir com o Bessent na quarta-feira, e agiram junto a alguns assessores do presidente [dos EUA, Donald] Trump, e a reunião com ele, que seria virtual na quarta-feira, foi desmarcada”, disse Haddad.
“Recebemos essa informação um ou dois dias depois do anúncio que eu fiz. Em que o Eduardo, publicamente, deu uma entrevista [dizendo] que ia procurar inibir esse tipo de contato entre os dois governos, porque o que estava em causa não era questão comercial. [Ele] Deixou claro isso em uma entrevista pública”, acrescentou.
O ministro reforçou que o cancelamento da agenda com o Tesouro americano ocorreu após a declaração de Eduardo. “Não há coincidência nesse tipo de coisa”, afirmou.
Segundo ele, a Fazenda ainda tentou remarcar a reunião para outra data, mas não houve retorno positivo nesse sentido.
Fonte: oestadoce.com.br
