Hungria diz não querer que Otan vire bloco “anti-China”
O ministro das relações exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, afirmou, nesta quinta-feira, 11, que seu país não apoiará a transformação da Aliança do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em um bloco “anti-China”. “A Otan é uma aliança de defesa […] não podemos organizá-la num bloco anti-China”, afirmou o representante húngaro em mais um episódio que evidencia os desgastes do país dentro da aliança militar liderada pelos Estados Unidos (EUA).
Um projeto de comunicado da cúpula da Otan apontou os chineses como facilitadores decisivos do esforço de guerra na Rússia e na Ucrânia e afirmou que Pequim está impondo desafios sistêmicos à Europa e à segurança. A China, por sua vez, interpretou o comunicado como tendencioso e destacou que tal postura “semeava discórdia”.
O ministro húngaro também comentou sobre os trâmites para que a Ucrânia se torne um novo membro da Otan, reforçando o posicionamento contrário já apresentado por seu governo anteriormente. Segundo Szijjarto, a adesão ucraniana enfraqueceria a unidade do grupo. É válido ressaltar que, ainda nessa semana, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, declarou que o país governado por Volodymyr Zelensky estava “irreversivelmente” no caminho do ingresso na aliança militar.
A Hungria mantém um bom relacionamento tanto com os russos quanto com os chineses. O primeiro-ministro do país, Viktor Orbán, teve uma reunião com o líder de Pequim, Xi Jinping, na última segunda-feira, 08, para discutir um potencial acordo de paz para o leste europeu, que sofre com a guerra entre Rússia e Ucrânia desde fevereiro de 2022.
A relação de Orbán com o chefe do Kremlin, Vladimir Putin, não é bem vista por alguns líderes da União Europeia, uma vez que o bloco busca não manter conversas de alto nível sobre a guerra com Moscou. Na cúpula da Otan, as nações prometeram apoio os ucranianos, e o projeto de comunicado também reforçou que o processo de adesão do território à aliança é apoiado. “A admissão da Ucrânia não fortaleceria, mas enfraqueceria a aliança da unidade, já que existem pontos de vista completamente divergentes sobre a sua adesão”, alertou o ministro húngaro, acrescentando que, na prática, aceitar a Ucrânia no grupo “criaria um risco de conflito aberto entre a Rússia e a Otan”.
Os desgastes relacionados com o posicionamento da Hungria em face da postura de nações do Ocidente não são novos. No final de maio, ministros de Relações Exteriores da União Europeia (UE) pediram que o governo de Orbán parasse de bloquear uma ajuda bilionária que outras nações do bloco desejam enviar para auxiliar a Ucrânia na guerra contra as forças militares de Putin. Gabrielius Landsbergis, da Lituânia, acusou a Hungria de impedir sistematicamente as posições de política externa do grupo. “Quase todas as nossas discussões e soluções e decisões necessárias por parte da UE estão sendo bloqueadas por apenas um país”, denunciou.
O lituano também afirmou que a Hungria estava impondo dificuldades para o início das discussões sobre a adesão ao bloco de países como Ucrânia, Geórgia e Armênia. “Analisamos isto e aparentemente cerca de 41% das resoluções da UE sobre a Ucrânia foram bloqueadas pela Hungria”, pontuou à época.
Antes disso, quando a Otan aprovou o planejamento de um apoio militar de longo prazo para os ucranianos, por meio da criação de um fundo de 107 bilhões de dólares, Peter Szijjarto já havia descrito as intenções da aliança como uma “missão louca”. “A Hungria ficará fora da missão louca da Otan, apesar de toda a pressão”, disse.
OE
