Compra por impulso: 71% já cederam à tentação
Especialista alerta para maior desafio dos consumidores: identificar e compreender as emoções que os levam a comprar
Uma pesquisa recente da Serasa revela um dado alarmante: 71% dos consumidores brasileiros já fizeram compras de forma não planejada e, desses, 72% se arrependeram de suas aquisições feitas no calor do momento. Esses números destacam um comportamento comum no Brasil, onde o consumo impulsivo e a sensação de culpa subsequente se tornaram quase parte da cultura nacional.
Segundo a psicóloga Valéria Meirelles, conhecida como Psicóloga do Dinheiro, esse hábito está profundamente ligado à ansiedade. “Vivemos em meio a um mundo inquieto e sob a sedução do consumo. Quando compramos algo, existe uma espécie de alívio dessa sensação, um prazer mesmo que momentâneo”, explica.
No entanto, essa satisfação passageira pode se transformar em um problema financeiro no final do mês, quando o peso das “pequenas comprinhas” impulsivas se reflete no orçamento. Valéria alerta para os riscos de usar as compras como uma forma de compensação para dias difíceis. “Essas compras são impulsivas e compensatórias. O ato de consumir até pode parecer uma solução rápida, mas não resolve o problema de fundo e ainda pode trazer novas complicações, como o estresse financeiro”, afirma.
A psicóloga sugere que o maior desafio para os consumidores é identificar e compreender as emoções que os levam a comprar, sejam elas alívio, conforto ou felicidade. A educadora financeira Natália Cunha, em sua campanha “Agosto Infinito, mas o salário não”, promovida nas redes sociais da Serasa, sugere um desafio de 7 dias sem compras impulsivas. “Criar uma lista de itens essenciais pode ser o primeiro passo para retomar o controle financeiro”, recomenda Natália.
Ela sugere que os consumidores utilizem ferramentas simples, como o bloco de notas do celular ou um caderninho tradicional, para anotar apenas os produtos realmente necessários, como itens de higiene, alimentos ou medicamentos. “Evitar lojas físicas e silenciar aplicativos de promoções também são estratégias eficazes para fugir das tentações que, de blusinha em blusinha, podem se transformar em uma bola de neve na fatura do cartão de crédito”, complementa.
Na avaliação do economista Helder Cavalcante, essa tendência pode ser particularmente prejudicial em um cenário econômico onde o crédito é facilmente acessível, mas as taxas de juros são elevadas, resultando em um ciclo de endividamento que compromete o orçamento familiar e a capacidade de poupança.
“Além disso, a necessidade de estratégias como o desafio de 7 dias sem compras impulsivas e a criação de listas de compras essenciais, sugeridas pela educadora financeira Natália Cunha, reflete a urgência de se promover uma maior educação financeira no país. A adoção de práticas conscientes e o controle emocional no ato de consumir não apenas ajudam a evitar o estresse financeiro, mas também contribuem para a formação de uma cultura de consumo mais sustentável”.
Fonte: O Estado CE
