Black Friday 2023 tem recuo de até 15% no faturamento
O especialista em tecnologia da informação, Luis Cavalcante, de 34 anos, planejava comprar novo ar condicionado durante a Black Friday 2023, mas desistiu da compra. “Estava esperando desde setembro esse momento. Fiz pesquisa de preço, mas quando chegou o dia os preços estavam absurdamente mais caros, tudo potencializado pela onda de calor. Então, a compra que eu pretendia fazer, não fiz, optei por outro momento. Não quis pagar muito mais caro. Vou aguardar o preço cair. Mas isso prova que a Black Friday é bem contestável”, destacou.
Muitos outros consumidores devem ter agido da mesma forma que o rapaz, pois esse, que é um dos períodos do ano mais aguardado pelo comércio brasileiro acabou sendo um momento frustrado para o varejo em 2023, e pela segunda vez seguida o e commerce registrou queda no faturamento e volume de vendas na comparação anual, segundo pesquisas de consultorias com dados consolidados.
No ano passado, o momento registrou queda de cerca de 35% nas transações. Os dados estatísticos foram divulgados nesse sábado (25/11), pela plataforma Hora a Hora, que é da Confi.Neotrust, empresa de inteligência de dados, em parceria com a ClearSale, que atua com inteligência de dados e soluções para prevenção a riscos. Da meia-noite até as 23h59 da sexta-feira (24), o e-commerce brasileiro registrou mais de R$ 3,4 bilhões em transações na Black Friday, com um valor por pessoa de R$ 675,36 (ticket médio). O montante é 15,1% menor se comparado ao ano anterior. Além disso, o volume de pedidos também teve queda (14,9%), totalizando 5,1 milhões de compras.
Outro dado é o da consultoria NielsenIQ Ebit. Segundo o levantamento, a queda foi de 13% no faturamento e de 9% nos números de pedidos da Black Friday deste ano. Segundo o executivo responsável pela consultoria, Marcelo Osanai, os resultados foram impactados pela antecipação de compras na quinta-feira, pelas taxas de juros ainda em patamares elevados e pelo alto endividamento das famílias. “O consumidor que tinha alguma folga orçamentária comprou antes, o restante preferiu adotar uma postura mais cautelosa diante das incertezas [macroeconômicas] mencionadas”, destacou.
Pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), encomendada ao Instituto Datafolha, mostrou que 49% dos brasileiros pretendiam realizar compras de produtos ou serviços na Black Friday. Em média, os consumidores planejavam gastar R$ 1.380, e o faturamento total esperado era de R$ 15,5 bilhões.
Destaques
Segundo o levantamento da plataforma Neotrust , os três produtos mais vendidos na Black Friday deste ano foram eletrodomésticos (20,8%), eletrônicos (15,1%) e telefonia (11,9%). Com a onda de calor recente e expectativas de tempo quente em dezembro sob efeito do fenômeno El Niño, esperava-se que o ar-condicionado pudesse ser “estrela” desta Black Friday, o que não aconteceu, segundo a pesquisa. O especialista em finanças, Helder Pereira, acredita que a projeção não se confirmou em razão dos altos preços. “Hoje em dia os consumidores estão mais atentos e assim devem permanecer. Os preços de equipamentos como ar condicionado e ventiladores, aumentaram consideravelmente de um dia para o outro, logo, as pessoas não compraram, pois preferem esperar um momento mais propício, o que considero razoável, pois o mercado mostrou grande desproporção nos valores para se aproveitar do momento climático”, disse.
OE
