Banco dos réus: MP pedirá 84 anos de prisão a Lessa e a Queiroz
Os dois ex-militares serão levados a júri popular sob acusação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson
n Gomes. No banco dos réus estarão Ronnie Lessa, ex-sargento da Polícia Militar (PM), e o ex-policial Élcio Queiroz, que foi expulso da corporação. A sessão do júri popular está marcada para ter início às 9h.
Os crimes ocorreram na noite do dia 14 de março de 2018, na região central da Capital fluminense. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pedirá ao Conselho de Sentença 4º Tribunal do Júri a condenação máxima dos acusados, que pode chegar a 84 anos de prisão.
Os dois foram denunciados à Justiça pelos crimes de duplo homicídio triplamente qualificado, um homicídio tentado (a assessora de Marielle ficou ferida), e receptação do carro usado no dia do crime. Ronnie e Élcio foram presos na Operação Lume, do MP e da Polícia Civil, um ano após o crime, em março de 2019.
Durante os dias de julgamento, os jurados ficam incomunicáveis e dormem em dependências restritas do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O MP pretende ouvir sete testemunhas. A acusação contará com depoimento da única sobrevivente do atentado, a jornalista Fernanda Chaves, que estava no carro com a vereadora e o motorista, além de parentes das vítimas e dois policiais civis.
O processo que levou à prisão de Lessa e Queiroz tem 13.680 folhas, 68 volumes e 58 anexos. Os denunciados serão ouvidos por videoconferência. Ronnie está preso no Complexo Penitenciário de Tremembé, em São Paulo, e Élcio, no Complexo da Papuda, presídio federal em Brasília.
Apontado pela Polícia Federal (PF) como assassino de aluguel, Lessa afirma que Marielle foi a única pessoa que ele matou por dinheiro. Essa contradição entre os investigadores e o delator, Lessa, tem sido tema de outra ação penal, que julga os supostos mandantes do crime: Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Rivaldo Barbosa, réus no Supremo Tribunal Federal (STF) e que negam o crime.
As defesas dizem que o delator mente tanto sobre o próprio passado como sobre o envolvimento dos acusados no crime. “Essa ideia foi difundida pela Polícia Civil há mais de 15 anos. Me chamaram umas três vezes na delegacia por causa da morte do [bicheiro] Rogério Mesquita. No final, com um detetive, inspetor, nós batemos boca e a partir daí eu virei um matador de aluguel”, disse o ex-PM em audiência no STF.
O acordo de delação dele prevê o cumprimento de pena em regime fechado até março de 2037. A reunião das penas nos 12 processos a que ele responde será feita pela execução penal. Já Élcio Queiroz, também colaborador da Justiça, confirmou ter dirigido o carro usado na execução do assassinato de Marielle. Os detalhes do acordo dele não são de conhecimento público.
Os dois confessaram ter perseguido o carro em que Marielle, Anderson e Fernanda Chaves estavam no dia 14 de março de 2018, até Lessa disparar uma rajada de tiros contra o veículo. Do total, quatro disparos atingiram a cabeça da vereadora, e três, as costas de Anderson. Fernanda sobreviveu. A dupla foi presa um ano depois.
Lessa decidiu fazer delação após Queiroz colaborar com as investigações. Segundo ele, os irmãos Brazão decidiram matar a vereadora para impedir que ela continuasse a prejudicar os interesses da família em práticas de grilagem de terras. Nos depoimentos, ele disse que matou a vereadora após receber oferta para explorar como miliciano uma área na zona oeste do Rio de Janeiro.
Fonte: O Estado CE
