PCCE: organizações criminosas focam em pessoas com “ficha limpa”
Grupos buscam rotinas comuns para despistar investigações e não levantarem suspeitas, contasta Polícia Civil com base em investigações
Organizações criminosas têm usado em maior escala pessoas sem antecedentes criminais para cometerem ou serem interceptoras de ações criminosas, constatou a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). A tática leva em consideração uma menor possibilidade de denúncias e levantamento de suspeitas. A informação foi dada ao O Estado nesta segunda-feira (2), durante coletiva da corporação. A adesão de pessoas com esse perfil acontece na tentativa de driblar ou dificultar investigações.
“As organizações criminosas têm procurado pessoas que não despertam atenção. É diferente quando há uma pessoa que tem tornozeleira, por exemplo, ou que já tenha antecedentes criminais. Em comparação a uma pessoa que tem trabalho, tem filhos e vivem rotinas comuns, esses são mais facilmente livres de suspeitas”, afirma um dos responsáveis pela operação deflagrada na última sexta-feira (30) que culminou com a apreensão de 1,2 tonelada de drogas.
A operação é resultado de uma denúncia anônima. Via ligação, o denunciante afirmou existir uma família em Aquiraz em posse da droga em área residencial. Foram presos na operação um homem de 31 anos que era vigilante, e uma mulher de 29 anos, dona de casa. Ambos não possuíam antecedentes criminais.
Os apreendidos irão responder pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. De acordo com a PCCE, o montante bruto que o casal poderia arrecadar com a droga era de cerca de R$2,5 milhões. O valor não leva em consideração os desdobramentos de compra e venda que poderiam ocorrer.
O entorpecente foi apreendido na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) com origem no Sudeste do Brasil. O destino era Fortaleza e demais regiões do Ceará, também conforme a corporação. O casal foi preso em flagrante, com a droga e um carro Space Fox preto, no bairro Machuca, em Aquiraz. A operação foi deflagrada na tarde da última sexta-feira (30).
O homem e a mulher tiveram prisão convertida em preventiva e seguem detidos. A ação foi uma operação conjunta entre Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Departamento de Polícia Judiciária do Interior Sul (DPJI-Sul) e Departamento de Inteligência Policial (DIP).
Denúncias auxiliam
Diretor-geral da PCCE, Marcio Gutierrez reitera a importância das denúncias e reforça que a operação só foi possível após contato anônimo com a polícia. “A denúncia é importante para direcionamento da polícia para os fatos que acontecem nas cidades e bairros e que a polícia não tem conhecimento imediato. Temos como o resultado desta ação, que foi uma denúncia anônima, por exemplo. Mais de uma tonelada de drogas retiradas de circulação. Além de ser um prejuízo muito grande para as organizações criminosas, conseguimos evitar que essa droga seja fonte de abastecimento no Ceará todo”.
A PCCE explica que a população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o disque-denúncia da SSPDS, ou para o número (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via “e-denúncia”, site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.
Fonte: O Estado CE
