Casos confirmados de oropouche no Ceará aumentaram 300% em cerca de 45 dias
Análise do O Estado com base nos boletins da Sesa entre 19 de julho e 23 de agosto mostram que número saltou de 40 para 171 no período
O total de casos de febre oropouche no Ceará mais que quadruplicou em 45 dias, aponta análise comparativa do O Estado a partir de boletins epidemiológicos da Secretaria de Saúde (Sesa), disponibilizados no site do órgão. Em 19 de julho, data do primeiro documento, havia 40 registros. O documento mais recente da pasta, datado de 23 de agosto, afirma que, ao todo, 171 casos foram diagnosticados. O início da curva de crescimento de oropouche em território cearense, com a detecção clínica por exames, ocorreu em abril.
Quando a comparação é feita levando em conta apenas o espaço de um mês, de 24 de julho e 23 de agosto, a taxa percentual de aumento fica próxima dos 132%, saindo de 74 diagnósticos para 171. As cidades atingidas são Aratuba (40), Pacoti (31), Mulungu (27), Capistrano (38), Baturité (11), Palmácia (3) e Redenção (21).
A doença está nas faixas etárias a partir de 1 ano de idade, apontam também gráficos do boletim mais recente, que revela que a maior parte dos casos se concentra no público entre 20 e 59 anos: 70%, o que totaliza 117.
No geral, ou seja, entre os 171 diagnósticos, 95 são em homens e 76 em mulheres. Em crianças, pré-adolescentes e adolescentes (até 19 anos), as detecções são inferiores a em idosos (acima de 60 anos), mas a diferença é menor que 20%, quando se é feita a comparação: 23 e 27 casos, nesta ordem.
Febre e cefaleia
Febre, cefaléia (dor de cabeça) e dor muscular são os sintomas mais apontados pelos diagnosticados. Náuseas, vômitos e dor nas costas também fazem parte da lista de queixas, mas em menor escala. Ao passo em que 166 dos 171 pacientes relataram febre, 67 citaram dor nas costas.
No Brasil, afirma o documento da Sesa, em 33 Semanas Epidemiológicas (SEs), o vírus foi detectado em 7.767 pessoas, com concentração de 42,0% das confirmações na Região Amazônica, endêmica para a doença. Os casos identificados em território nacional estão distribuídos de maneira equitativa entre homens e mulheres, com 52,0% das detecções (4.029) em pessoas do sexo masculino. A faixa etária de 20 a 49 anos tem 59,8% (4.646) dos casos.
“Sem resposta”
Uma morte segue em investigação pela Sesa há pelo menos 20 dias, a de um feto, cuja mãe havia sido diagnosticada com oropouche. As análises laboratoriais não foram concluídas, sinaliza a Sesa. De acordo com a Sesa, “no dia 27/07/2024, foi notificado um caso de Febre Oropouche (FO) em gestante de 40 anos, com 34 semanas de gestação, procedente da região do Maciço de Baturité e sem histórico de viagens”.
O início dos sintomas, acrescenta o órgão, aconteceu em 24 de julho, com diagnóstico confirmado “por RT-qPCR em amostra de soro colhida em 29/07/2024”. Cerca de uma semana depois, a mulher foi recebida em um hospital com suspeita de óbito fetal.
“O parto ocorreu em 09/08/2024, sendo realizada necrópsia minimamente invasiva do feto e coleta amostras de líquor e vísceras na mesma data. Em 12/08/2024, foi divulgada a detecção viral, por meio de RT-qPCR, no líquor e em todas as amostras de material fetal. Esse achado é uma evidência da transmissão vertical do OROV”.
Fonte: O Estado CE
