INSS quer passar pente-fino em até 850 mil benefícios até dezembro
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pretende verificar os cadastros de, aproximadamente, 850 mil beneficiários temporários (o antigo auxílio-doença) até dezembro de 2024, disse nessa segunda-feira (29) o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. Esse tipo de operação, chamada de pente-fino, busca conferir se as pessoas têm mesmo direito a seguir com os benefícios.
Conforme Lupi, o trabalho mira auxílios temporários que estão há dois anos ou mais sem verificação. “Muitos não comunicam à Previdência [as informações atualizadas] porque querem continuar recebendo mesmo estando trabalhando”, declarou o ministro durante entrevista a jornalistas no Rio de Janeiro.
“Estamos fazendo, através do Ministério da Previdência Social, através da nossa parte da perícia médica, uma verificação até o final do ano, mais ou menos, de 800 mil a 850 mil beneficiários temporários com algum tipo de doença, algum tipo de atendimento que teve, verificando se estão ainda com essa doença, se estão merecedores ainda do benefício para continuar ou não pagando”, completou.
As declarações ocorreram após o ministro ser questionado sobre a revisão cadastral iniciada pelo Governo Federal na semana passada com foco no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago pelo INSS a pessoas idosas, a partir de 65 anos de idade, ou pessoas com deficiência em famílias consideradas vulneráveis. Lupi disse que o Ministério do Desenvolvimento Social está trabalhando para fazer uma “fotografia” do BPC e o recadastramento de beneficiários.
“Nosso grande desafio hoje é evitar fraudes. Tem muita gente que frauda a Previdência Social, que frauda o BPC, para ter benefícios indevidos”, afirmou Lupi. Pela manhã de ontem, o ministro participou de conferência organizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Lupi assinou acordo de cooperação técnica com o presidente do IBGE, economista Marcio Pochmann, para a geração de dados relacionados à área da seguridade social no Brasil. “Estamos pegando, com esse convênio, um rumo para fazer a previsão da Previdência de amanhã. Precisamos ter essa fotografia real do povo brasileiro”, declarou Lupi.
A conferência do IBGE se estende até sexta-feira (2) e tem como tema o que o órgão chama de “soberania nacional em geociências, estatísticas e dados”. Segundo o Instituto, a intenção é discutir “riscos e oportunidades do Brasil na era digital”.
Pochmann voltou a defender a ideia de que o IBGE precisa atuar como grande coordenador de estatísticas no país, o que significaria integrar diferentes bases de informações, inclusive registros administrativos (dados cadastrais de órgãos públicos). Para isso, o economista planeja a criação do Sistema Nacional de Geociências, Estatísticas e Dados (Singed).
Segundo Pochmann, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou que não faltará verba para o IBGE realizar as pesquisas. Em junho deste ano, porém, o economista havia dito que os trabalhos eram ameaçados por restrições financeiras.
