Professores do município cobram reajuste salarial de 2024
Os estudantes da Rede Municipal de Fortaleza podem estar prestes a enfrentar uma nova greve de professores. Na última sexta-feira, 26, o Sindicato União dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute) convocou uma paralisação geral da categoria devido a falta de agendamento de uma reunião com as autoridades do Município para discutir o reajuste do magistério de 2024. “As aulas estavam previstas para começar na terça-feira e decidimos paralisar após um mês de anúncio da nossa pauta e um silêncio absoluto da Prefeitura de Fortaleza”, explica a presidente do sindicato, Ana Cristina Guilherme.
“Nossa data-base é 1º de janeiro, portanto, no dia 1º de fevereiro a Prefeitura já deveria estar implantando o nosso reajuste”, afirma a presidente. Os professores estão reivindicando uma alteração salarial de 10,09%, para que seja alcançado o atual piso do magistério no valor de R$ 4.580,57 no vencimento inicial, bem como desejam que o índice seja aplicado de forma linear em toda a carreira. Segundo a Secretaria Municipal da Educação (SME), a reunião para discutir o assunto com o Sindiute foi marcada para esta segunda-feira, 29. O sindicato, porém, também tem uma assembleia programada para o dia de hoje.
Ana Cristina Guilherme detalha que o movimento tem diversas outras pautas, entre elas a defesa dos direitos dos novos professores, dos aposentados e de agentes administrativos e secretários de escola. “Se o prefeito não tiver uma proposta de reajuste, que é nossa pauta imediata, a posição do sindicato vai ser pela greve”, garante, lembrando que há tempo para lutar pelas outras demandas.
Conforme o Sindiute, o percentual que está sendo solicitado engloba o reajuste pendente do piso de 2017, no valor de 7,64%, somado aos 3,62% referentes a 2024. Para a entidade, há uma defasagem na estrutura salarial do magistério municipal, e o percentual de reposição em declínio neste ano poderia ser uma oportunidade para resolver o problema. A presidente classificou a paralisação de sexta-feira como uma forma de expressar a “indignação” da categoria por não ter obtido resposta sobre a reposição salarial. “Sem piso, sem aula”, pontua Guilherme.
À reportagem, a titular da SME, Dalila Saldanha, afirmou que a Prefeitura prioriza a valorização profissional e mantém um diálogo “constante e transparente” com a categoria. “Queremos encontrar um caminho de negociação para a garantia do piso do magistério dos professores”, destaca. De acordo com ela, em 2023, a folha do magistério teve um aumento real de 20%. “Isso é fruto de todo um trabalho focado na valorização dos profissionais”, defende.
Entre os avanços ressaltados pela SME estão, por exemplo, a promoção de 1.821 professores, o que representa um investimento superior a R$ 11 milhões, e o Programa Professores Sem Fronteiras, que até o fim deste ano, deverá levar 200 profissionais da Rede Municipal para intercâmbios em outros países. A pasta também lembra que o financiamento de programas de pós-graduação para os servidores municipais do magistério foi regulamentado como forma de incentivar o estudo e a qualificação permanente dos professores.
Mobilização passada
Em fevereiro do ano passado, os professores de Fortaleza passaram dez dias em greve para cobrar as autoridades da capital cearense pelo pagamento do piso salarial anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). Na época, a Prefeitura propôs um reajuste geral de 5,79% para os servidores e prometeu que, até setembro, o índice de 14,95% seria alcançado, conforme solicitado pela categoria. Além disso, a gestão garantiu a preservação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Com a negociação, foi finalizada a mobilização que começou um dia antes do início do ano letivo e ficou acordado que haveria uma discussão posterior para definir sobre a reposição das aulas.
Por Yasmim Rodrigues
OE
