Bares e restaurantes devem movimentar R$ 68,74 bi no verão

O setor de bares e restaurantes deve movimentar R$ 68,74 bilhões neste verão (22 de dezembro deste ano até 20 de março de 2024) e registrar o maior movimento para o período. O montante equivale a cerca de 44% do total (R$ 155,87 bilhões) que deve ter em circulação em todos os estados dentro do turismo. O dado é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e foi divulgado nesse sábado (02/12).

No Ceará, o segmento já vem registrando avanço, principalmente com relação à geração de emprego, mas o presidente da Abrasel no estado, Taiene Righetto, diz que o potencial de crescimento é ainda maior, mas esbarra na falta de mão de obra. “O setor passa por uma dificuldade enorme na contratação. No pré-pandemia, tínhamos cerca de 20 mil CNPJ no estado, e agora estamos com 45 mil e ainda assim com um número de colaboradores menor do que a pré-pandemia. Isso significa que mais do que dobramos de tamanho, então precisaríamos ter o dobro de colaboradores. É importante esse crescimento, mas esse setor só não cresce mais por falta de mão de obra que possa suprir a ampliação de novos negócios”, avalia.

Apenas Fortaleza, por exemplo, deve receber cerca de 600 mil turistas só para as festas de final de ano. Serão dois dias de evento (30 e 31 de dezembro) e 18 atrações. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Ceará (ABIH-CE), Régis Medeiros, projeta que a cidade deve registrar, no período, de 95% a 98% de ocupação hoteleira. “Estamos tendo grande procura por hospedagens. Termos uma grande festa, com atrações de renome nacional e isso consequentemente impulsiona o setor. Por isso estamos com expectativa muito positiva”, disse.

“Esse movimento do aumento das receitas do segmento de bares e restaurantes tem origem no avanço das receitas e movimentação do turismo, após o fim da pandemia, em razão de uma demanda reprimida, e da diminuição da inflação na economia brasileira. Tudo isso corrobora para impulsionar esse ritmo de crescimento dessa cadeia, em especial o turismo, que deve se igualar ao período pré-pandemia. Isso implica que as pessoas estão viajando mais, aproveitando férias no final do ano, o que deve aumentar ainda mais no Carnaval”, comentou o economista Eldair Melo.

Dados específicos
Ainda segundo a CNC, no verão, e dentro da cadeia do turismo, o segmento de transporte rodoviário deve alcançar movimentação de R$ 25,08 bilhões, enquanto o transporte aéreo deve chegar R$ 18,15 bilhões, seguido de alojamento R$ 14,45 bilhões e cultura R$ 6,53 bilhões. Já outros segmentos somam R$ 22,92 bilhões, aponta a CNC.
Além disso, apenas com relação ao turismo, a CNC estima movimentação de R$ 155,87 bilhões no setor de novembro de 2023 a fevereiro de 2024. Esse é o intervalo considerado como a alta temporada de verão. Se confirmado, o resultado será o maior desde o início da série histórica informada pela entidade. Os registros contemplam 13 verões desde a temporada 2011-2012. Até o momento, segundo o órgão, o maior faturamento foi observado de 2013 para 2014 (R$ 152,63 bilhões), antes da recessão que afundaria a economia brasileira em 2015 e 2016. Os dados anteriores da série foram ajustados pela inflação, diz a CNC. “O que influencia é uma demanda reprimida por esses serviços. A gente tem acompanhado, ao longo de 2023, que o setor de turismo ainda apresenta crescimento significativo. “Também há melhores condições de consumo. Essa melhora deriva de uma combinação entre mercado de trabalho ainda aquecido, gerando vagas formais, e uma desaceleração da inflação”, destaca Fabio Bentes, economista sênior da CNC, entidade e responsável pelos cálculos.

OE

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