Guerra regista maior dia de violência entre Israel e Hezbollah

A tensão regional por conta da guerra no Oriente Médio entre Israel e o Hamas (grupo terrorista palestino) cresceu nesse domingo (15), que foi, até agora, o dia de maior violência entre a facção libanesa Hezbollah (aliada do Hamas), e Tel Aviv (cidade cujo nome é utilizado para se referir ao governo israelense), que isolou a fronteira com o Líbano. Ataque da milícia libanesa matou uma pessoa na cidade israelense de Shtula, no norte do país, com lançamento de mísseis antitanque e foguetes.
Já caças das forças israelenses bombardearam posições do Hezbollah no sul libanês, enquanto soldados dos dois lados trocaram fogo. Um míssil antitanque do Hezbollah foi disparado da área de Ayta a-Shaab, cidade que faz divisa com Shtula na chamada linha azul, fronteira estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2000.

Uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas. As Forças de Defesa de Israel determinaram uma área tampão de 4 km a partir da linha azul, isolando a fronteira e deslocando civis. Depois, iniciou o bombardeio de posições do Hezbollah.
Ao todo, Israel contou cinco ataques com mísseis antitanque, nove com foguetes e diversos disparos com morteiros e armas leves. As ações incluíram o poderio aéreo israelense. O Exército alertou que está bloqueando o sinal de GPS em toda região norte de Israel e que, por isso, é provável que aplicativos de celular apresentem problemas. O mecanismo atrapalha a precisão de mísseis e comunicações sobre eventuais infiltrados na área.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, afirmou, nesse domingo, em vídeo que o país não tem interesse em novo conflito com o Hezbollah, mas que o grupo precisava estar atento às consequências se o fizesse. Antes, o grupo libanês fez uma advertência semelhante, no sentido contrário.
A troca de fogo, algo usual na região, já havia ocorrido na semana como forma de os dois lados mostrarem prontidão em tempos de guerra. O Hezbollah é um dos aliados regionais do Hamas e os dois grupos são bancados pelo regime teocrático (governo de Deus) do Irã, que usa prepostos para evitar confrontação direta com Israel, um Estado nuclear.
Mas o aumento da violência nesse domingo vem um dia após o chanceler iraniano se encontrar com o líder político do Hamas, Ismail Haniye, no Qatar. Ele também se reuniu com representantes do Hezbollah e da Jihad Islâmica, outro grupo anti-Israel que compõe, com a Síria e aliados, o que Teerã (capital do Irã) chama de Eixo da Resistência.

No caso, resistência à existência de Israel e à normalização das relações de Tel Aviv com vizinhos árabes, como os Emirados Árabes Unidos. A principal negociação na mesa, mediada pelos Estados Unidos, é a aproximação com a Arábia Saudita, ora abalroada pela nova guerra, justamente o que o Hamas queria.
Ainda nesse domingo, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, se reuniu com o príncipe herdeiro e líder saudita, Mohammed bin Salman, em Riad. O anfitrião afirmou que “é necessário parar a atual escalada, respeitar a lei internacional e levantar o cerco a Gaza”.
Os americanos têm agido de forma não vista desde que patrocinaram acordos de paz entre parte dos palestinos e Israel, em 1994. O governo de Joe Biden anunciou o envio de um segundo grupo de porta-aviões para se unir ao do USS Gerald Ford, maior navio de guerra do mundo, na costa israelense.
O motivo, assumido com desassombro, é avisar rivais regionais de Israel o que pode acontecer se eles interferirem na guerra contra o Hamas. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos também reforçou bases da região com aviões de ataque F-15, caças F-16 e, em um sinal nada sutil, os “tanques voadores” A-10, especializados em atacar blindados.

Na retórica, o Irã segue dizendo que apoia a luta palestina e seus prepostos, que estão prontos para a guerra. Mas é no norte de Israel que a dinâmica tem sido testada diariamente. Para os israelenses, a eventual entrada do Hezbollah, que possui formidável arsenal de foguetes e mísseis e arrancou empate da guerra de 2006 com Tel Aviv, seria um grande problema militar. Isso justifica a fala do ministro da Defesa de Israel.
A leste, há também a questão da Síria, que desde o início da crise já foi atacada duas vezes pelo que disse serem aviões de Israel. As Forças israelenses nunca comentam essas ações, que foram confirmadas também pela Rússia, aliada do eixo anti-Israel, mas com relações próximas com o governo de Binyamin Netanyahu, premiê do Estado judeu.
Nesse caso, a questão parece ser alertar para que os sírios não enviem armas próprias ou iranianas para reforçar o Hezbollah ou o Hamas a partir de agora. Não sem sentido, os alvos dos ataques foram pistas de dois aeroportos.

Os incidentes contra o grupo libanês dão sequência a uma lenta escalada desde que o Hamas cometeu o maior ataque terrorista da história de Israel, matando mais de 1.300 pessoas no sábado retrasado (7). A retaliação israelense matou até aqui 2.600 palestinos da Faixa de Gaza, controlada pelos terroristas.

Alertas
O Irã, fiador do Hamas e do Hezbollah, fez a mais grave advertência até aqui contra Israel. “Se a agressão sionista [movimento político que pedia um Estado judeu independente] não parar, as mãos de todos os envolvidos estão no gatilho”, afirmou o chanceler Hossein Amirabdollahian, segundo a imprensa estatal iraniana.
Já o presidente do Irã, o ultraconservador Ebrahim Raisi, recebeu telefonema do colega Emmanuel Macron, presidente da França, cujo país foi potência colonial no Líbano, no qual o francês o aconselhou a não permitir a escalada da violência. O Irã nega ter participado dos ataques do grupo palestino contra o Estado judeu.

Saiba mais sobre os principais envolvidos no conflito

Israel: Estado fundado em 14 de maio de 1948, que faz fronteira com Líbano (norte), Síria (nordeste), Jordânia e Cisjordânia (leste), Egito (sudoeste) e Golfo de Aqaba, no Mar Vermelho (sul). Em Jerusalém, palco de passagens bíblicas sagradas para judeus, cristãos e muçulmanos, estão localizados locais como o histórico Muro das Lamentações. O centro financeiro de Israel é Tel Aviv, conhecido pelas praias e arquitetura.

Hamas: Nome que significa, em árabe, Movimento de Resistência Islâmica, é um grupo palestino constituído de entidade filantrópica, braço político e outro armado. Criado em 1987, é considerado hoje como organização terrorista por vários países.

Hezbollah: Aliado do Hamas, surgiu durante a Guerra Civil do Líbano, entre 1980 e 1990. É uma organização política e paramilitar. No mundo islâmico, é visto como movimento de resistência legítimo. No mundo ocidental, porém, é tido como organização terrorista por diversos países.

 

OE

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